terça-feira, 13 de novembro de 2012
Espécie ameaçada
Uma espécie ameaçada ou em vias de extinção é uma espécie cujas populações estão decrescendo a ponto de colocá-la em risco de extinção. Muitos países têm legislação que protege estas espécies, proibindo a caça e protegendo seus habitats, mas essa legislação tem se demonstrado insuficiente para evitar que um número crescente de espécies deixe de existir, sem que se tenha notícia deste fato.
Não há consenso sobre os critérios de inclusão de uma espécie na lista das ameaçadas. Há uma interpretação corrente de que a preservação de espécies ameaçadas é incompatível com a exploração económica do ambiente em que vivem, que deveria ser preservado como um santuário ecológico intocável.
Isto é verdade em alguns casos extremos, mas não em todos. Cresce o número de propostas de uso económico sustentável de habitats naturais, combinando agricultura com preservação da cobertura vegetal e portanto da diversidade da flora e da fauna.
No Brasil, a legislação tem feito alguns avanços nos últimos anos, embora na prática a falta de fiscalização e a impunidade dos infratores implique em que não seja respeitada.
Índice [esconder]
1 Classificação do estado de conservação
2 Exemplos de espécies ameaçadas
2.1 Mamíferos ameaçados
2.2 Aves ameaçadas
2.3 Répteis ameaçados
2.4 Peixes ameaçados
2.5 Artrópodes ameaçados
2.6 Plantas ameaçadas
3 Referências
4 Ver também
[editar]Classificação do estado de conservação
O estado de conservação de uma espécie é um indicador da probabilidade de que esta espécie ameaçada continue a existir. Os factores usados nesta classificação incluem a amplitude de distribuição da espécie, o nível de ameaça a que está sujeita, a variação do tamanho da população, e outros.
Entre as classificações do estado de conservação das espécies animais e vegetais, a Lista Vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) é a mais conhecida.
A UICN usa as seguintes categorias:
Extinta EX: o último representante de espécie já morreu, ou se supõe que tenha morrido. Exemplo: Dodo.
Extinta na natureza EW: existem indivíduos em cativeiro, mas não há mais populações naturais. Exemplo: Dromedário.
Crítica ou criticamente ameaçada CR: sofre risco extremamente alto de extinção num futuro próximo.
Em perigo EN: sofre risco muito alto de extinção num futuro próximo.
Vulnerável VU: sofre alto risco de extinção a médio prazo. Exemplos: Chita, camelo-bactriano
Quase ameaçada NT: ainda não sofre risco de extinção, mas as ameaças sobre ela são crescentes.
Segura ou pouco preocupante LC: não sofre ameaça
[editar]Exemplos de espécies ameaçadas
[editar]Mamíferos ameaçados
O Lobo-guará pode ser extinto em cem anos.
Antílope-tibetano (Pantholops hodgsonii)
Baleia-azul (Balaenoptera musculus )
Chimpanzé (Pan troglodytes)
Elefante-africano (Loxodonta spp)
Gorila-do-ocidente (Gorilla gorilla)
Gorila-do-oriente (Gorilla beringei)
Guigó (Callicebus coimbrai)
Guigó-da-Caatinga (Callicebus barbarabrownae)
Leopardo (Panthera pardus)
Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus)
Macaco-prego-galego (Cebus flavius)
Mico-leão-dourado
Muriqui (Brachyteles arachnoides)
Onça-pintada (Panthera onca)
Orangotango (Pongo pygmaeus e Pongo abelii)
Panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca)
Peixe-boi (Trichechus manatus)
Rinoceronte-de-sumatra (Dicerorhinus sumatrensis)
Tigre (Panthera tigris)
Urso-polar (Ursus maritimus)
[editar]Aves ameaçadas
O tucano-toco é uma ave ameaçada.
Arara-azul-de-lear
Arara-azul-grande
Arara-azul-pequena
Ararinha-azul
Araracanga ou Arara-piranga
Diamante-de-gould
Arara-vermelha
Bacurau-de-rabo-branco
Guaruba
Papagaio-de-cara-roxa
Papagaio-da-serra
Papagaio-de-peito-roxo
Cigarra-verdadeira
Tucano-toco
Calafate (ave)
Tiê-bicudo
Azulão
Galito
rolinha
[editar]Répteis ameaçados
Tartarugas-marinhas
Tartaruga-de-couro
Dragão-de-komodo
Jacaré-de-papo-amarelo
Varano do deserto
[editar]Peixes ameaçados
Tubarão-baleia (Rhincodon typus)
Tubarão-branco (Carcharodon carcharias)
Tubarão-sem-dentes (Devil Shark)
[editar]Artrópodes ameaçados
Borboleta-da-restinga (Parides ascanius)
Caranguejo-amarelo (Gecarcinus lagostoma)
[editar]Plantas ameaçadas
Andiroba
Araucária
Cedro
Jacarandá
Pau-brasil
Pau-de-cabinda
Pau-Rosa
Mognoa
Leis da natureza
Leis da natureza ou Lei de crimes ambientais é o título de uma lei brasileira (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998), sancionada pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.
[editar]Destaques da Lei
Entre os diversos crimes ambientais, destacam-se:
Matar animais "silvestres, nativos ou em rota migratória" (art.29) continua sendo crime. Entre esses animais encontram-se as espécies ameaçadas de extinção, tais como a ararinha-azul, o mico-leão-dourado e o boto cor de rosa. O fato não é considerado crime, se o abate for para saciar a fome da pessoa ou da sua família;
O comércio, o aprisionamento e o transporte destes mesmos animais também constitui crime (art.29, §1°, III), sendo a pena em ambos os casos de 6 meses a 1 ano de prisão, além de multa;
Passa a ser crime, além dos maus tratos, o abuso contra animais, assim como ferir ou mutilar um animal (art.17). Este artigo se refere não apenas aos animais silvestres, nativos e exóticos, mas também aos "animais domésticos ou domesticados" e sua pena é multa de 200 reais por animal, ou, se for uma espécie ameaçada de extinção, multa que varia entre 5 mil e 10 mil reais;
As experiências dolorosas ou cruéis em animal vivo, ainda que seja para fins didáticos ou científicos (como cobaia por exemplo), são consideradas crimes "quando existirem recursos alternativos" (art.17, § único) e o infrator incorre nas mesmas penas (multa) referentes aos maus tratos.
A exportação não autorizada de "peles e couros de anfíbios e répteis em [estado] bruto" (art.13) sujeita o infrator à multa de 2 mil reais, mais um acréscimo de 200 a 5 mil reais por espécie apreendida, conforme o grau de raridade do animal;
A caça às baleias, golfinhos e outros cetáceos é considerada crime ambiental (art.22) dentro do limite de 200 milhas do mar territorial brasileiro. O simples ato de "molestar de forma intencional" o cetáceo já se enquadra neste artigo, cuja pena é multa de 2.500 reais;
A prática de pichar, grafitar ou de qualquer forma sujar edificação ou monumento urbano, sujeita o infrator a até um ano de detenção;
Fabricar, vender, transportar ou soltar balões, é punido com prisão e multa.
Destruir, causar danos, lesionar ou maltratar plantas ornamentais é crime, punido por até um ano.
Quem dificultar ou impedir o uso público das praias estará sujeito a até cinco anos de prisão.
Baleia-azul
A baleia-azul (Balaenoptera musculus) é um mamífero marinho pertencente à subordem Mysticeti dos cetáceos. Com até 30 m[1] de comprimento e mais de 180 t[2] de peso, elas são os maiores animais que jamais existiram de que se tem conhecimento.[3]
Longo e esguio, o corpo das baleias-azuis apresenta seu dorso em diferentes tons azuis-acinzentados, enquanto que seu ventre é geralmente mais claro.[4] Existem pelo menos três subespécies distintas: B. m. musculus, cujo habitat restringe-se ao norte dos oceanos Atlântico e Pacífico, B. m. intermedia, do oceano Antártico e B. m. brevicauda (também conhecida como Baleia-azul-pigméia), encontrada no oceano Índico e no sul do oceano Pacífico. B. m. indica, do oceano Índico, pode ser uma outra subespécie. Como é o caso das outras espécies pertencentes à subordem Mysticeti, a dieta das baleias-azuis consiste quase que exclusivamente de pequenos crustáceos conhecidos como krill, os quais filtram da água do mar usando lâminas córneas em sua cavidade bucal.[5] Porém, elas também podem se alimentar de pequenos peixes e lulas.
As baleias-azuis eram, até o início do século 20, abundantes em quase todos os oceanos da Terra. Caçadas por mais de um século, foram levadas à beira da extinção pelos baleeiros, até tornarem-se objeto de mecanismos de proteção adotados pela comunidade internacional em 1996. Um relatório de 2002 estimou que existam de cinco a doze mil baleias-azuis ao redor do mundo,[6] distribuídas em pelo menos cinco agrupamentos. Contudo, pesquisas mais recentes sobre as subespécies pigméias sugerem que a população atual é maior.[7] Antes de serem caçadas, o maior agrupamento estava na Antártida, com aproximadamente 239 000 indivíduos.[8] Os agrupamentos remanescentes atuais, muito menores, com algo em torno de 2000 indivíduos cada, estão localizados a noroeste dos oceanos Pacífico, Antártico e Índico. Outros dois agrupamentos de baleias-azuis encontram-se ao norte do oceano Atlântico, e há pelos menos outros dois no Hemisfério Sul.
A nadadeira dorsal das baleias-azuis é pequena,[9] visível apenas por um curto período de tempo, enquanto mergulham. Através de seu espiráculo, elas podem podem produzir jatos de água de até 9 m de altura. O volume de seus pulmões pode chegar a 5 000 ℓ. Elas também são os animais mais ruidosos do mundo, podendo emitir sons que atingem os 188 dB — mais fortes que o som de um avião a jato — e que podem ser ouvidos a mais de 800 km de distância.[2]
Índice [esconder]
1 Taxonomia
2 Características
2.1 Dimensões
2.2 Alimentação
3 População e pesca
4 Ver também
5 Referências
6 Ligações externas
Taxonomia
Baleias-azuis são balenopterídeos, uma família que inclui as baleias-jubarte, as baleias-comuns, as baleias-de-bryde, as baleias-sei e as baleias-de-minke.[10] Acredita-se que a família Balaenopteridae tenha divergido das outras famílias da subordem Mysticeti durante a metade do Oligoceno. Não se tem conhecimento de quando os membros destas famílias divergiram uns dos outros.
A baleia-azul é classificada usualmente como uma de oito espécies do gênero Balaenoptera; uma autoridade a atribui a um gênero monotípico, o Sibbaldus[11], contudo esta atribuicão não é reconhecida.[12] Análises usando sequenciamento de DNA indicam que as baleias-azuis são filogeneticamente mais próximas às baleias-sei (Balaenoptera borealis) e às baleias-de-bryde (Balaenoptera brydei) do que às outras espécies de balenopterídeos, sendo também mais próximas às baleias-jubarte (Megaptera) e às baleias-cinzentas (Eschrichtius) do que às baleias-de-minke (Balaenoptera acutorostrata e Balaenoptera bonaerensis).[13][14] Caso mais pesquisas confirmem estas descobertas, os balenopterídeos precisarão ser reclassificados.
Pelo menos onze casos de indivíduos adultos híbridos entre baleias-azuis e baleias-comuns foram documentados na natureza. Arnason e Gullberg afirmam que a proximidade genética das baleias-azuis e das comuns é equivalente à existente entre os humanos e os gorilas.[15] Pesquisadores que estavam trabalhando na região das ilhas Fiji acreditam ter fotografado um exemplar híbrido de baleia-jubarte e baleia-azul.[16]
A primeira publicação descrevendo a baleia-azul encontra-se na obra Phalainologia Nova (1694), de Robert Sibbald. Sibbald encontrou uma baleia-azul encalhada no Estuário de Forth, na Escócia, em setembro de 1692. Era um macho de 23,78 m de comprimento, que tinha “placas pretas e com chifres” e “duas grandes aberturas, cuja forma assemelhava-se à de uma pirâmide”.[17]
O sufixo musculus vem do Latim e significa "músculo", mas também pode ser interpretado como "camundongo pequeno".[18] Carlos Lineu, que batizou a espécie em sua obra Systema Naturae, de 1758,[19] estaria ciente disso ao usar este duplo sentido da palavra como uma ironia.[20] Herman Melville chamava esta espécie de sulphur-bottom (ventre de enxofre, numa tradução livre do inglês) nos capítulos dedicados à descrição dos cetáceos presentes em sua obra-prima, Moby Dick, devido à tonalidade alaranjado-marrom ou amarela das camadas de diatomáceas presentes na pele de seu ventre. Outros nomes comuns utilizados no passado para as baleias-azuis incluem rorqual-de-sibbald (após Sibbald, o primeiro a descrever a espécie), grande-baleia-azul e grande-rorqual-do-norte. Atualmente, esses nomes não são mais utilizados. O primeiro uso do termo baleia-azul está registrado em Moby Dick, de Herman Melville. Contudo, a menção em Moby Dick é passageira e não está relacionada especificamente a esta espécie. Na realidade, o nome provém do norueguês blåhval, cunhado por Svend Foyn após este ter aperfeiçoado o lançador de arpões; em 1874, o cientista norueguês Georg Ossian Sars adotou-o como o nome vulgar da espécie em norueguês,[17] que posteriormente foi traduzido para o português como baleia-azul.[carece de fontes]
A espécie está classificada em três ou quatro subespécies: B. m. musculus, a baleia-azul que constitui as populações que habitam o norte dos oceanos Pacífico e Atlântico, B. m. intermedia, a baleia-azul do oceano Antártico, B. m. brevicauda, a baleia-azul-pigméia encontrada no oceano Índico e no sul do oceano Pacífico,[21] e a controversa B. m. indica, o grande-rorqual-da-índia, que habita o oceano Índico e, apesar de ter sido descrita anteriormente, pode ser a mesma que a subespécie B. m. brevicauda.[12]
Características
Uma baleia-azul, levantando as nadadeiras de sua cauda durante um mergulho
Baleia-azul adulta
O corpo das baleias-azuis é longo e pontiagudo e, quando comparado ao corpo sólido e reforçado de outras baleias, parece alongado.[9] A cabeça é chata, em forma de U, com um proeminente espinhaço indo desde o espiráculo até o topo do lábio superior.[9] A parte frontal da boca, onde as lâminas córneas estão localizadas, é espessa; cerca de 300 lâminas, com algo em torno de um metro de comprimento cada, estão ligadas à maxila, percorrendo cerca de meio metro em direção ao interior da boca. Elas possuem algo entre 70 e 118 ranhuras (chamadas de dobras ventrais) ao longo da garganta, paralelas ao comprimento do corpo. Essas dobras ajudam a evacuar a água da boca depois de se alimentar (veja mais na respectiva seção abaixo).
A nadadeira dorsal é pequena,[9] visível apenas por um curto período de tempo, enquanto mergulham. Localizada a cerca de 3/4 da distância da cabeça à cauda, sua forma varia de indivíduo para indivíduo; em alguns, a nadadeira dorsal não passa de um caroço muito dificil de se avistar, enquanto que em outros ela pode ser proeminente, com forma de foice. Quando emergem para respirar, as baleias-azuis elevam seus ombros e espiráculo para fora da água muito mais do que as outras grandes espécies de baleias, como por exemplo as baleias-sei e as baleias-jubarte, o fazem. Com esta peculariedade em mente, é possível a um observador diferenciar estas espécies umas das outras em pleno mar. Algumas baleias-azuis do norte dos oceanos Atlântico e Pacífico levantam as nadadeiras de suas caudas quando mergulham. Durante a respiração, elas espelem um jorro que pode atingir até 12 m de altura, mas que tipicamente não passa dos 9 m. O volume de seus pulmões pode atinger até os 5 000 ℓ. As Baleias-azuis tem espiráculos duplos, que são cobertos por um grande pára-respingos.[9]
Vista aérea de uma baleia-azul exibindo suas nadadeiras peitorais
As nadadeiras tem entre 3 e 4 m de comprimento. Enquanto a face superior é cinza, com uma fina borda branca, a face inferior é completamente branca. Normalmente, a cabeça e as nadadeiras da cauda são completamente cinzas. Suas partes superiores e, em alguns casos, as nadadeiras, são malhadas. Os padrões do malhado variam substancialmente de indivíduo para indivíduo: enquanto alguns apresentam apenas um tom cinza claro e uniforme, sem malhado algum, outros demonstram combinações de tons azuis escuros, cinzas e pretos, todos em uma malha muito densa.[10]
Orifício respiratório duplo de uma baleia-azul
Apesar de as baleias-azuis poderem atingir velociadades de até 50 km/h por curtos períodos de tempo, principalmente quando estão interagindo umas com as outras, a velocidade em que nadam fica normalmente em torno dos 20 km/h.[10] Quando se alimentam, elas diminuem sua velocidade de nado para algo em torno dos 5 km/h.
As baleias-azuis vivem sozinhas ou com um parceiro. Não se sabe por quanto tempo casais de baleias-azuis ficam viajando juntos. Contudo, em regiões com fartura de alimento, já foram avistadas até 50 baleias espalhadas por uma pequena área. As baleias-azuis não vivem em grandes grupos, como é o caso de outras espécies pertencentes à subordem Mysticeti.
Dimensões
O jorro de uma baleia-azul
As baleias-azuis são os maiores animais que jamais viveram de que se tem conhecimento.[3][9] O maior dinossauro de que se tem conhecimento é o Argentinossauro, que viveu no Mesozoico,[22] e pesava, segundo estimativas, até 90 t.
Baleias-azuis, devido às suas dimensões, são muito difíceis de se pesar. Como é o caso da maioria das grandes baleias capturadas por baleeiros, baleias-azuis adultas nunca foram pesadas como um todo. Para poder pesá-las, seus corpos são primeiramente cortados em pedaços, o que resulta em um peso total menor do que real, pois durante o processo perde-se muito sangue e outros fluídos corporais. Mesmo assim, há registros de pesos entre 150 e 170 t para indivíduos de até 27 m de comprimento. O Laboratório Nacional de Mamíferos Marinhos dos Estados Unidos (NMML, na sigla em inglês) estima que o peso de um animal de 30 m de comprimento ultrapasse as 180 t. A maior baleia-azul pesada de maneira precisa até os dias de hoje pelos cientistas do NMML tinha 177 t.[6] De maneira geral, as baleias-azuis do norte do oceano Atlântico e do oceano Pacífico aparentam ser, em média, menores do que as que vivem nas águas da Antártida.
A pequena nadadeira dorsal está à mostra no canto esquerdo da foto
Existe uma certa incerteza quanto à maior baleia-azul já encontrada, pois a maior parte dos dados provém de animais mortos nas águas da Antártida durante a primeira metade do Século XX, tendo sido coletados por caçadores de baleias pouco versados nos métodos científicos de medição de animais. A baleia mais pesada de que se tem registro pesava 190 t.[23] As baleias mais compridas que jamais foram medidas são duas fêmeas medindo respectivamente 33,6 m e 33,3 m. O peso das duas baleias, contudo, não foi coletado na ocasião de sua captura.[24] A maior baleia já medida por cientistas do NMML, uma fêmea capturada por baleeiros japoneses na Antártida entre 1946 e 1947, tinha 29,9 m de comprimento. Já no norte do oceano Pacífico, o maior registro é de uma fêmea, também capturada por baleeiros japoneses, em 1959, com 27,1 m de comprimento, e no norte do oceano Atlântico, uma outra fêmea, capturada no Estreito de Davis, com 28,1 m de comprimento.[17]
Comparação de tamanho de um humano em relação à baleia-azul.
Devido às grandes dimensões das baleias-azuis, muitos de seus órgãos são os maiores do reino animal. Uma língua de baleia-azul pesa algo em torno de 2,7 t[25] e, quando completamente expandida, sua boca é capaz de reter até 90 t de alimento e água.[5] Apesar do tamanho de sua boca, as dimensões de sua garganta são tais que uma baleia-azul é incapaz de engolir um objeto maior que uma bola de praia.[26] Seu coração pesa em torno de 600 kg e é a maior parte de corpo conhecida de todos os animais.[25] A aorta de uma baleia-azul tem aproximadamente 23 cm de diâmetro.[27] Durante os primeiros sete meses de vida, uma baleia-azul jovem bebe aproximadamente 400 l de leite por dia. Baleias-azuis jovens crescem muito rapidamente, podendo ganhar peso corporal a uma taxa de até 90 kg a cada 24 horas. Quando nascem, podem pesar até 2 700 kg – o mesmo que hipopótamo adulto.[10] A cabeça de uma baleia-azul é tão grande que cinquenta pessoas poderiam apoiar-se em sua língua.[carece de fontes] Um bebê (humano) poderia gatinhar através das principais artérias da baleia-azul e um humano adulto poderia até arrastar-se pela sua aorta. O órgão reprodutor do macho (o pênis), chega a medir 3 metros de comprimento.[carece de fontes]
Um crânio de baleia-azul com 19 ft (6 m) de comprimento do acervo do Museu Nacional de História Natural dos Estados Unidos
Alimentação
As baleias-azuis alimentam-se quase que exclusivamente de krill, podendo ainda ingerir um pequeno número de copépodes.[28] As espécies de plâncton das quais as baleias-azuis alimentam-se varia de oceano para oceano. Ao norte do oceano Atlântico o cardápio é composto usualmente de Meganyctiphanes norvegica, Thysanoessa raschii, Thysanoessa inermis e Thysanoessa longicaudata;[29][30][31] ao norte do oceano Pacífico, Euphausia pacifica, Thysanoessa inermis, Thysanoessa longipes, Thysanoessa spinifera, Nyctiphanes symplex e Nematoscelis megalops;[32][33][34] e, no oceano Antártico, Euphausia superba, Euphausia crystallorophias e Euphausia valentin.
Uma baleia-azul adulta pode comer até 40 milhões krill em um dia.[35] As baleias sempre alimentam-se nas áreas de maior concentração de krill, podendo comer até 3 600 kg de krill num único dia.[28] Isso equivale a uma dieta de aproximadamente 1,5 milhões de quilocalorias diárias.[36]
Devido ao fato de o krill se mover, as baleias-azuis alimentam-se normalmente a profundidades superiores a 100 m durante o dia, vindo a alimentar-se na superfície somente à noite. A duração típica dos mergulhos para alimentação é de 10 minutos, porém períodos de até 20 minutos são também observados. O mergulho mais longo registrado foi de 36 minutos.[37] Para se alimentar, as baleias movem-se rapidamente em direção a grupos de kril, tomando os animais e grandes quantidades de água em sua boa. Na sequência, a água é pressionada para fora com ajuda da bolsa ventral e da língua, passando por suas lâminas córneas. Assim que toda a água é empurrada para fora da boca, o krill remanescente, preso às lâminas córneas, é engolido. Baleias-azuis podem também consumir peixes pequenos, crustáceos e lulas capturadas junto com o krill.[38][39]
Apesar de serem mamíferos, as baleias não amamentam seus filhotes pelas tetas. O leite da baleia é tão gorduroso que ela o solta na água, de onde o filhote o suga, já que água e gordura não se misturam.
População e pesca
Esqueleto de baleia-azul em frente ao Long Marine Laboratory da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.
As baleias-azuis não são fáceis de capturar, matar e estocar. A sua velocidade e poder mostram que elas não foram o alvo dos baleeiros antigos que, ao invés, tinham como alvo cachalotes. Como o número dos últimos declinou, os baleeiros começaram a olhar com mais cobiça para baleia-azul. Em 1864, o navio a vapor norueguês Svend Foyn foi equipado com arpões especialmente concebidos para capturar grandes baleias.
A matança de baleias-azuis espalhou-se rapidamente, e em 1925, os Estados Unidos, o Reino Unido e o Japão tinham se juntado, à Noruega, na caça às baleias-azuis, capturando-as, matando-as e processando-as em grandes navios-fábricas. Em 1930, 41 navios mataram 28 325 baleias-azuis. No final da segunda guerra mundial, as populações de baleias-azuis já eram escassas, e em 1946, as primeiras leis que restringiam o comércio de baleias foram introduzidas. Tais leis eram ineficientes devido à falta de diferenciação entre as espécies. Espécies ameaçadas pela extinção podiam ser igualmente caçadas com aquelas que tinham uma população relativamente abundante. Quando a caça da baleia-azul finalmente foi proibida, nos anos 60, 350 mil baleias-azuis haviam sido mortas. A atual população mundial de baleias-azuis é estimada entre três a quatro mil, com duas mil concentradas na costa californiana. Tal grupo representa a maior esperança num longo e gradual processo de aumento populacional da baleia-azul, que está nas listas dos animais ameaçados de extinção desde os anos 60.
Mutum-do-nordeste
O mutum-do-nordeste ou mutum-de-alagoas (Mitu mitu mitu) é uma ave da família Cracidae encontrada originariamente na Mata Atlântica brasileira.
Atualmente extinta na natureza devido à destruição de seu habitat para o plantio de cana-de-açucar e pela caça desregrada, no Nordeste brasileiro, daí a sua denominação.
Seus últimos registros datam de 1978, 1984 e 1987. A população total da ave em cativeiro era de 60 em 1986 e 34 ema 1993. Hoje em dia, ultrapassa os 100.
Tatu-bola
O tatu-bola (Tolypeutes), também conhecido em algumas regiões como tatuapara, apara e apar[1], é uma espécie de tatu encontrado no Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina.[2] Tais espécies contam com cerca de 30 cm de comprimento, têm coloração marrom anegrada e, geralmente, três cintas móveis. São os únicos tatus capazes de se enrolar completamente dentro da carapaça, formando uma bola. O tatu-bola-da-caatinga foi anunciado em 16 de setembro de 2012 como mascote da copa do mundo de 2014.[3]
Índice [esconder]
1 Etimologia
2 Espécies
3 Descrição
4 Referências
[editar]Etimologia
"Tatu-bola" é uma referência à sua capacidade de se enrolar, adquirindo o formato de uma bola. "Tatuapara", "apara" e "apar" vêm do tupi tatua'para, "tatu vergado".[1]
[editar]Espécies
Tolypeutes matacus (Desmarest, 1804) - Mataco
Tolypeutes tricinctus (Linnaeus, 1758) - Tatu-bola-da-caatinga
[editar]Descrição
Sua reprodução é de, no máximo, dois filhotes. Seu tempo de gestação é de quatro meses.
Mico-leão-de-cara-dourada
O mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) é um primata brasileiro ameaçado de extinção, pertencente a família Cebidae. É endêmico das florestas do sul da Bahia, sendo encontrado, atualmente, em algumas poucas unidades de conservação, como a Reserva Biológica de Una. Apesar de estar "Em Perigo", é a espécie do gênero Leontopithecus que possui maior população e corre menos risco de extinção a curto prazo.
Índice [esconder]
1 Taxonomia e Evolução
2 Distribuição Geográfica e Hábitat
3 Descrição
4 Ecologia
5 Conservação
6 Referências
Taxonomia e Evolução
A princípio, era considerado como subespécie de Leontopithecus rosalia, hoje é considerado uma espécie distinta, assim como os outros táxons do gênero.[1] Embora possua notável semelhança com o mico-leão-dourado, o mico-leão-de-cara-dourado não é diretamente relacionado a este último, e dados moleculares apontam por ser a primeira espécie de mico-leão que surgiu, sendo considerada a mais basal.[4] Alguns dados morfométricos apontam para uma grande semelhança entre esta espécie e o mico-leão-de-cara-preta.[5]
Distribuição Geográfica e Hábitat
Esta espécie de mico-leão é encontrada no sul da Bahia, principalmente na região de Ilhéus e Una.[6] Sua área de ocorrência chegava a quase 20.000 km², hoje bastante reduzida, com a maior população conhecida se concentrando na Reserva Biológica de Una.[7][3] Habita principalmente a floresta ombrófila de terras baixas, sendo também encontrados nas restingas e florestas secundárias. A cabruca, onde é feito o plantio de cacau, eventualmente é utilizada pelo mico-leão-de-cara-dourada, desde que persistam altas árvores nativas.[8]
Descrição
O mico-leão-de-cara-dourada é a espécie do gênero que ocorre no sul da Bahia.
Possui toda a pelagem de cor negra e brilhante, exceto ao redor da face, membros anteriores e posteriores, que são douradas, o que conferiu o nome popular da espécie.[9] Possui um crânio com conformação única dentre os mico-leões, com uma face mais alongada em comparação às outras três espécies e também mais robusta.[5][10] Pesam entre 534 g (fêmea) e 620 g (macho), com até 25 cm de comprimento, sem a caudal, que não é preênsil.[11]
Ecologia
Os micos-leões são animais frugívoros e insetívoros que apesar de seu pequeno tamanho ocupam áreas de vida relativamente grandes.[12] No caso do mico-leão-de-cara-dourada, foi constatado em Una, que sua área de vida tem em média 123 hectares (trata-se de um território muito maior do que constatado para o mico-leão-dourado), entretanto, a maior parte do tempo é passada em apenas 11% de todo esse território.[12] Sua área de distribuição é simpátrica com Callithrix kuhlii, do qual se diferencia ecologicamente: o mico-leão possui maior território, forrageia nos estratos mais altos da floresta e uso como sítios de dormida buracos em troncos de árvore.[13] Foram reportadas associações mistas com essa mesma espécie, embora não seja frequente.[9][14] Sua dieta constitui-se predominantemente de frutos maduros, néctar, insetos e pequenos vertebrados, sendo que néctar também tem menor importância na dieta comparado às outras espécies de mico-leão.[12]
Conservação
O mico-leão-de-cara-dourada consta como "Em Perigo", segundo a IUCN e na lista do IBAMA.[3][15] A Reserva Biológica de Una é a principal unidade de conservação dessa espécie, embora seja de tamanho reduzido para manter uma população viável a longo prazo.[7] Ademais, ao longo de sua distribuição geográfica, houve uma extrema redução da cobertura vegetal e de seu hábita.[7] Ainda sim, é a espécie do gênero Leontopithecus que possui a maior população na natureza, com estimativas entre 6.000 e 15.000 indivíduos.[7]
Mico-leão-dourado
O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), também conhecido como mico-leão, saguipiranga e sauimpiranga[4], é uma espécie de primata endêmica do Brasil, onde pode ser encontrada apenas na Mata Atlântica. Encontra-se em perigo de extinção.
Índice [esconder]
1 Etimologia
2 Taxonomia e Evolução
3 Descrição
4 Distribuição geográfica e Habitat
5 Ecologia e Comportamento
5.1 Dieta
5.2 Organização Social e Território
5.3 Vocalizações
6 Reprodução
7 Conservação
8 Referências
[editar]Etimologia
O mico-leão-dourado se diferencia das outras espécies do gênero por possuir pelagem completamente dourada.
"Mico" deriva do caribe continental miko[4]. "Saguipiranga" e "sauimpiranga" vêm do tupi sa'wi pi'rãga, que significa "sagui vermelho".[4]
[editar]Taxonomia e Evolução
O mico-leão-dourado é do gênero Leontopithecus, grupo monofilético da família Cebidae: há inúmeras classificações que consideram como uma espécie separada no gênero, e outras como subespécie.[3][5] Evidências genéticas apontam para um período muito recente de diversificação dos mico-leões.[6]
A espécie mais aparentada ao mico-leão-dourado, é o mico-leão-preto, do qual provavelmente compartilham um ancestral que possuía pelagem escura.[7][8]
[editar]Descrição
O mico-leão-dourado possui toda a pelagem de cor ruiva a dourada, o que conferiu o nome popular.[9] Acredita-se que essa cor de pelagem deve-se a ingestão de carotenóides e à exposição à luz solar.[10] Possui a face negra, quase nua. Características do crânio mostram que dentre os mico-leões é o que possui a forma mais "grácil", com um crânio pequeno e maxilas pouco proeminentes.[11] Possui mãos e dedos muito longos, com unhas que lembram garras que são usadas para procurar pequenos vertebrados e artrópodes em substratos estreitos, como bromélias.[12] Não possui dimorfismo sexual, com macho e fêmea praticamente do mesmo tamanho, com 26 cm de comprimento sem a cauda e pesando 620 g em média.[13] Animais criados em cativeiro podem chegar até 800 g, o que representa o maior tamanho entre os Callitrichinae.[14]
[editar]Distribuição geográfica e Habitat
Originalmente, o mico-leão-dourado era encontrado nas florestas de terras baixas (até 300 m de altitude) desde o Espírito Santo ao sul do rio Doce até a bacia do rio São João, no Rio de Janeiro.[15][16] Atualmente, é encontrado apenas em alguns remanescentes de floresta da bacia do rio São João, principalmente na Reserva Biológica Poço das Antas e na Reserva Biológica União.[16][3] Fragmentos de floresta em Silva Jardim, Cabo Frio, Saquarema e Araruama apresentam populações dessa espécie e ela foi reintroduzida com sucesso nos municípios de Rio das Ostras, Rio Bonito e Casimiro de Abreu.[17][18] Pode ser encontrado em fragmentos de floresta secundária.[16] Recentemente, foi reportada uma população em Duque de Caxias, sendo a população mais ao sul conhecida atualmente.[19]
[editar]Ecologia e Comportamento
Os mico-leões são animais diurnos, sendo mais ativos nas primeiras horas da manhã.[20] Utilizam principalmente buracos em troncos de árvore como sítios de durmida, que mudam diarimente e eventualmente podem utilizar copas de palmeiras.[21] Passam boa parte do tempo (cerca de 33%) do dia se locomovendo pelo território, usando, geralmente, cerca de 50% dele em suas atividades diárias.[21] Possuem um repertório de expressão facial limitado, como os outros macacos Neotropicais, e vocalizações e sinais odoríferos possuem papel importante na comunicação entre os indivíduos.[10]
[editar]Dieta
São animais frugívoros e insetívoros, se alimentando principalmente de pequenos frutos macios (como as das plantas do gênero Ficus), artrópodes e pequenos vertebrados.[21] Os mico-leões exploram bastante os microhabitats dentro das bromélias para encontrar insetos e pequenos vertebrados utilizando suas garras e longos dedos para explorar tais ambientes.[16][21] Na estação seca, é comum substituírem parte da dieta por néctar, quando diminui a disponibilidade de frutos maduros.[21]
[editar]Organização Social e Território
O mico-leão-dourado se organiza em grupos familiares de 2 a 8 indivíduos.
O mico-leão-dourado é tradicionalmente tido como monogâmico, embora alguns estudos mostrem que a poliandria é frequente.[20][22] A poliginia pode ocorrer também, mas em menor porcentagem (apenas 10 %): geralmente, as fêmeas são uma fêmea mais velha (a mãe) e fêmeas mais novas (filhas).[23] Na poliandria, existe uma relação hierárquica entre os machos do grupo, que competem pelas cópulas, e apesar de todos ajudarem no cuidado com a prole, ela provavelmente é de apenas um dos machos.[22] Ademais, a marcação com cheiro é uma estratégia usada pelos machos para sinalizar a hierarquia dentro do grupo.[24] Essa marcação de cheiro não parece ser utilizada para demarcar território, embora sirva para marcar locais em que se encontram recursos alimentícios e as fêmeas-alfa utilizam a macarção de cheiro pra se comunicar com membros de outros grupos (o que não é observado entre os machos).[24] Os bandos possuem entre 2 e 8 membros, e os machos costumam sair dele quando atingem a maturidade sexual.[23][25] A imigração é pouco frequente, visto que existe uma alta taxa de agressão com intrusos imigrantes a um território, principalmente fêmeas, que não são somente perseguidas e agredidas pelas fêmeas, mas também por machos.[25] As fêmeas, ademais, podem já "herdar" o status de alfa da mãe, o que aumenta as possibilidades delas continuarem no grupo.[25] Cada grupo habita um território entre 21,3 e 73 hectares, como mostrado em estudos na Reserva Biológica Poço das Antas.[21] Tal variação na área de vida está diretamente relacionada à quantidade de alimento no ambiente em que vivem e não existe a exigência de que a área de floresta seja primária ou não degradada.[21]
[editar]Vocalizações
Vocalizações possuem um papel importante na comunicação entre os calitriquíneos, visto as inúmeras limitações visuais impostas pelo ambiente que vivem e pelo tamanho deles.[10] As vocalizações do mico-leão-dourado são complexas e divididas em quatro tipos estruturais: "cacarejos", "ganidos", "trinados" e sons não-tonais; com vários componentes ultra-sônicos.[10] Não há diferenças com relação à idade, sexo e entre grupos no uso de tais vocalizações.[26] Tais vocalizações são emitidas em contexto ecológicos específicos e poucas são emitidas em encontros sociais: os "cacarejos" são comuns durante o forrageamento, os "ganidos" ocorrem frequentemente em atividades locomotoras em grupo pelo território ou quando existe um grupo muito próximo, os "trinados" são comuns quando os animais estão saltando.[26] Acredita-se que muitas vezes essas vocalizações sinalizem estados de extrema excitação nos determinados contextos, como quando indivíduos estão prestes a compartilhar comida.[10] Existem vocalizações com tempo de duração longo, as "chamadas longas", que são vocalizações comuns em contextos de defesa de território.[10] Estudos referentes aos aspectos acústicos de tais chamadas sugerem que elas evoluíram primariamente dentro de contextos de comunicação intragrupo e depois passaram a ser utilizadas na territorialidade.[27]
[editar]Reprodução
As fêmeas possuem um período de estro pós-parto.
Baseado em intervalos entre o comportamento copulatório e nascimento, calculou-se que a média da gestação é de cerca de 129 dias.[10] Possuem uma sazonalidade na reprodução, com a maior parte dos nascimentos ocorrendo entre os meses de agosto e fevereiro no hemisfério sul.[10] Os mico-leões possuem um estro pós-parto, estratégia que evoluiu como forma de permitir que as fêmeas tenham duas ninhadas consecutivas na estação mais chuvosa do ano, de formar a maximizar a sobrevivência da prole.[28] Em contrapartida, os machos perdem peso durante o período de estro da fêmea, o que demonstra que a competição por cópulas é uma atividade dispendiosa, assim como o cuidado com a prole.[28]
[editar]Conservação
A Reserva Biológica Poço das Antas é um dos últimos locais onde ainda é encontrado o mico-leão-dourado.
Atualmente, sua distribuição geográfica é muito restrita, e graças aos esforços na reprodução e reintrodução, existem cerca de 1.000 mico-leões na natureza, sendo que a maior população é encontrada na Reserva Biológica Poço das Antas, com pouco mais de 500 animais.[17][18] O desmatamento para retirada de madeira, agricultura e pecuária, caça para o comércio ilegal de animais silvestres contribuíram para uma redução drástica das populações do mico-leão-dourado, principalmente na década de 1960.[18] Em 1969, descobriu-se que o número de indivíduos na Mata Atlântica caiu para menos de 150.[29] Em 1975, a espécie foi listada no Appendix I da CITES, categoria dada aos animais ameaçados de extinção que podem ser ou estão sendo afetados pelo tráfico.[30] A espécie foi listada como "em perigo" pela IUCN em 1982,[3] e em 1984 o Smithsonian National Zoological Park e a World Wide Fund for Nature, através da "Golden Lion Tamarin Association", começaram um programa de reintrodução em 140 zoológicos.[29] Apesar do sucesso do programa, a classificação da IUCN subiu para "em perigo crítico" em 1996.[3] Em 2003 o estabelecimento bem sucedido de uma nova população na Reserva Biológica União permitiu rebaixar a espécie para "em perigo",[31] mas com uma advertência de que a extrema fragmentação do habitat pelo desmatamento faça com que a população selvagem tenha pouco potencial para uma expansão territorial adicional.[18][3] Na tentativa de frear a queda vertiginosa do mico-leão-dourado, vários programas de conservação foram realizados. A intenção é fortalecer a população selvagem e manter uma população cativa segura em zoológicos em todo o mundo. A taxa de sobrevivência dos animais reintroduzidos tem sido encorajadoras, mas a destruição de habitat desprotegido continua.[32]
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